Sociedade

Um pedido de ajuda sem género e a crescer em Portugal

Complexidade e número de denúncias de violência tem aumentado. Solução pode passar pelo investimento na profissionalização e em programas de prevenção

No passado sábado, dia 10 de março, a Ordem dos Advogados divulgou o mais recente comunicado publicado pela Associação de Apoio à Vítima (APAV). No documento é possível ler que a APAV pretende que “o juiz Neto de Moura seja alvo de um novo inquérito disciplinar”, considerando que existiram falhas nos processos judiciais e “aspetos cruciais da matéria” que não foram tidos em conta. Todo o comunicado da APAV está disponível no ‘site’ oficial da Ordem dos Advogados.

A gestora do Gabinete da APAV Coimbra, Natália Cardoso lembra que o contacto das instituições com esta realidade “infelizmente já era frequente”. Contudo, frisa que “os acontecimentos dos últimos meses trouxeram para a vida pública” a temática, pressionando o governo português a “tomar decisões no sentido de apoiar e proteger as vítimas de violência”.

Natália Cardoso releva que os tempos contemporâneos são complexos, marcados por “uma panóplia de crimes e problemáticas”. A dirigente da APAV Coimbra admite que as denúncias recebidas vão além da violência conjugal, abrangendo a violência com cidadãos portadores de deficiência e cidadãos idosos, onde o número vítimas do sexo masculino tem aumentado. Assim, a dirigente da APAV Coimbra defende ser necessário mais profissionais no apoio à vítima e, ao mesmo tempo, que a aposta na profissionalização cresça, de modo a que o apoio prestado seja o melhor.

Ao analisar a mobilização da sociedade portuguesa para questões sobre a violência doméstica, Natália Cardoso destaca que “há uns anos atrás não havia tanta preocupação, sendo importante olhar para as conquistas feitas”. A gestora do Gabinete da APAV Coimbra entrega à comunicação social o “papel positivo de alertar para esta temática e ajudar a formar opinião”. No entanto, Natália Cardoso alerta para algum conservadorismo “que começa a operar em alguns programas de televisão”, e para um olhar “demasiado superficial” em alguns meios de comunicação social, “que leva a uma leitura enviesada da complexidade do tema”.

A solução para a violência, segundo a dirigente da APAV Coimbra, passa pelo investimento na prevenção, pois “as medidas são tomadas depois de os problemas acontecerem”. Natália Cardoso acredita que a promoção de campanhas de prevenção em estabelecimentos de ensino é fundamental para o combate a este problema. “Erradicar não se consegue mas podemos prevenir”, conclui.

Fotografia Samuel Santos/Jornal A Cabra

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