Sociedade

Salvador, o bebé de grávida em morte cerebral, nasceu e “está bem”

Salvador. Este é o nome do bebé que nasceu nas primeiras horas desta quinta-feira, 29 de março, de uma grávida em morte cerebral mantida em suporte orgânico no hospital portuense de São João. A situação agravou-se às 12 semanas de gravidez, derivado de um ataque de asma, sendo a mãe da criança mantida em suporte orgânico de vida até às 32 semanas de gestação.

Apesar de, segundo a diretora do Serviço de Neonatologia do hospital, Hercília Guimarães, ser cedo para avaliar as consequências para o recém-nascido, o prognóstico é positivo. “O atendimento foi semelhante a um bebé nascido em situação decorrente de uma cesariana”, explicou Hercília Guimarães. Contudo, a dirigente do Hospital de São João frisa que a criança não deixa de estar em “potencial risco”, pelo que as atualizações do seu estado de saúde vão ser diárias.

A diretora do Serviço de Neonatologia do hospital portuense, em conferência de imprensa, abordou a questão ética de levar a gravidez até ao fim. “Foi uma decisão por um bem maior”, que “estava tomada quando a doente veio de Gaia para o Hospital de São João”, revela Hercília Guimarães.

O presidente da Comissão de Ética do Centro Hospitalar de S. João, Filipe Almeida, em declarações ao Público, admite que “não há nenhuma legitimidade para intervir num corpo morto, a não ser numa perspetiva de uma política de transplantação que poderá servir um bem maior”. Filipe Almeida destaca que “esta mulher não deu nenhum órgão ao filho, mas entregou-se toda para que ele pudesse nascer”.

Salvador é o segundo bebé a nascer em Portugal com uma mãe em morte cerebral. Em 2016, Lourenço nasceu em Lisboa, no Hospital de S. José.

Imagem Nova Gente

LEAVE A RESPONSE

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *